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UFG sedia Congresso de Relações Públicas e Comunicação Organizacional

Evento ocorre anualmente desde 2006 e tem como tema geral deste ano a questão das diversidades

Por Sabryna Moreno

Foto: Jeferson Fragoso

Mesa diretória composta por autoridades principais do evento

  A Abertura do XII Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e de Relações Públicas (Abrapcorp) foi realizada na Universidade Federal de Goiás (UFG), neste dia 16 de maio. O evento ocorreu no último ano na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e desta vez no Centro de Eventos da UFG. A solenidade de abertura foi antecedida por uma programação pré-congresso no decorrer dos dias 14 e 15, e no dia 16, nos períodos da manhã e da tarde, houve oficinas, minicursos e apresentações de teses, dissertações e monografias, que posteriormente foram avaliadas. 

  A temática desse ano foi “Comunicação Organizacional e Relações Públicas no contexto das diversidades”. “A Abrapcorp sempre procurou trazer para o seu congresso temas contemporâneos. O tema desse ano faz parte da agenda mundial. Em todas as áreas, se tem uma vertente fortíssima, porque muitas vezes organizações corporativas ou públicas têm um discurso que, na prática, não é condizente com a atitude dessas instituições.

 

 É importante que os gestores da comunicação, como os pesquisadores, comecem um trabalho de persistência para assessorar os dirigentes nesse compromisso público” pontua a professora doutora Margarida Kunsch, fundadora da Abrapcorp e ex-diretora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

 

Sem proteção

  No início da Abertura, o Grupo de 3ª Idade do Centro de Convivência de Idosos Vila Vida realizou uma apresentação cultural de catira, exaltando a cultura goiana com músicas e dança. O espetáculo foi além dos aplausos. Contando com críticas às políticas voltadas à cidadania no país, a professora doutora Angelita Pereira de Lima, diretora da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) da UFG, parabenizou e fez comentários sobre “a ausência de políticas protetivas para os idosos”. A comunidade idosa, também vista como parte da diversidade, esteve presente no discurso crítico da professora: “Essa apresentação foi um ato corajoso e importante. Essas pessoas vivem abrigadas na Casa Vila Vida. Isso revela que o Estado está ausente de políticas protetivas para os idosos.”

Foto: Jeferson Fragoso

Apresentação do grupo de Terceira Idade da Casa de Convivência Vila Vida

  Além disso, a diretora fez uma observação sobre a composição da junta de autoridades, 3 homens e 3 mulheres, e descreveu a mesa como “paritária”, pois, em geral, as mulheres são minoria em cargos superiores – justificativa feita por ela – “Mas ainda há outras diversidades ausentes nessa mesa. Nós somos diversos. Quanto mais cidadã a comunicação, mais aberta ela estará para a diversidade.” Por fim, a docente lembrou da importância da Comunicação Organizacional como campo estratégico contra problemas sociais, políticos e econômicos: “Estamos perdendo para os discursos de ódio e violência. O cenário político e econômico não é dos melhores. É preciso juntar nossas vozes para a democracia.”

 

Voz à diversidade

  O Congresso Abrapcorp, considerado nacionalmente o maior no campo de Comunicação Organizacional, foi recebido pela Universidade e pelo curso de Relações Públicas, como um “marco importante nos 40 anos do curso”, como descrito pelo Professor Doutor Tiago Mainieri, coordenador local do evento. “Nossa intenção é debater sobre as possibilidades da Comunicação de lidar com as diversidades, discutindo esse tema nas mesas, no decorrer do evento, até dia 18.”

  Além disso, o professor também debateu sobre o avanço na qualidade de produção dos pesquisadores, apesar da falta de recursos. “Diante de um cenário temeroso e com pouco dinheiro para as Instituições Federais, agradeço a todos. Mesmo em tempos de escassez nas pesquisas, somos capazes de nos mobilizar pelas causas.”                                                                        

Foto: Rafael Caique

  Tiago Mainieri, coordenador local da Abrapcorp - FIC/UFG

Por elas mesmas

  A cerimônia de entrega das premiações de tese, dissertação e monografia, um dos procedimentos padrões do Congresso, foi coordenada pelas professoras doutoras Cleusa Scroferneker, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), e Vânia Penafieri, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Faculdade Cásper Líbero.

  O prêmio de monografia destaque foi entregue pelo professor Tiago Mainieri ao estudante egresso da PUC-RS, Lucas da Costa Pimenta, que trabalhou o tema: “Relações Públicas e ativismo: um estudo sobre experiências de vidas transexuais”. “Apesar de eu ser um homem branco, cisgênero, de olhos claros, minha monografia toca num ponto fundamental: um grupo de minoria pouco falado. Que essas minorias possam ‘fazer parte’, não através de mim que sou um homem cisgênero, mas por elas mesmas. Por mais pessoas negras, mais pessoas trans, mais pessoas com deficiência...”, discursou.

  Em entrevista, Lucas opinou sobre o valor da existência de um evento como o da Abrapcorp: “É fundamental para possibilitar a troca de conhecimento e, além disso, também dá o privilégio de conhecer pessoalmente pessoas que escrevem e são referências na nossa área. Na minha monografia, eu citei pessoas que estavam lá, no evento de ontem. Dar voz a qualquer tipo de público envolvido com as relações públicas, inclusive os estudantes e pesquisadores, ou envolvidos profissionalmente na área mais mercadológica, é funcional para o enriquecimento da área. O evento da Abrapcorp, que reúne todos esses grupos em um espaço só, permite isso.”

  Na categoria de dissertações, a estudante Flávia Barroso de Mello (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) destacou-se com o tema “Em busca de sentidos para a ‘Marca Rio’: As Narrativas do Site portomaravilha.com.br”. Da mesma forma, a tese do estudante Daniel Reis Silva (Universidade Federal de Minas Gerais) foi a vencedora da categoria, tratando sobre “Relações Públicas, Ciência e Opinião: Lógicas de Influência na Produção de (In)certezas”.

 

Conferência Magna

  A palestra da pesquisadora reconhecida internacionalmente no campo da Comunicação, Doutora Donnalyn Pompper, professora da Universidade de Oregon (EUA), encerrou o evento-abertura, na quarta-feira. Antes, ministrou o minicurso do pré-congresso no dia 15, sobre Diversidade como Responsabilidade Social, comentou sobre a conclusão dessa oficina. Em entrevista, Donnalyn respondeu sobre o quão relevante é lidar com a diversidade como responsabilidade social: “É muito importante que as organizações abordem a diversidade em termos de responsabilidade social, porque todos no mundo estão exigindo que as corporações sejam mais responsáveis socialmente, para as pessoas e para o planeta.”

 

  A conferência focou na necessidade de mudanças para a equidade das diversidades. Segundo a palestrante, é necessário acabar com todos os “ismos”, como o racismo e o sexismo. Além deles, ela também se refere ao colonialismo, problematizando o contexto histórico e mantendo a argumentativa de que o profissional de Relações Públicas, acima de tudo, deve ter responsabilidade social, pois é comum, por exemplo, que empregados não recebam a devida valorização pós-contrato, ou que mulheres sejam desvalorizadas no mercado de trabalho. No geral, promove uma reflexão sobre a necessidade de união entre profissionalismo e ética. 

Foto: Jeferson Fragoso

Palestra proferida pela conferencista internacional Donnalyn Pompper

Ações além de discursos

Foto: Rafael Caique

Comunicação e Relações Públicas

  O dia 17 foi marcado por grupos de pesquisa em salas de aula da FIC e divulgação de livros lançados na Abertura do Evento, referentes ao curso de Relações Públicas. A professora pós-doutora Simone Tuzzo lançou dois materiais. Um, como Volume 2 da Coleção Assessoria de Comunicação e Marketing, do curso de especialização em marketing da UFG, e outro, como Volume 3 da Coleção Diálogos - Comunicação, Relações

Públicas e Novas Realidades Sociais.

  A professora explica o conteúdo geral das obras: “Convidamos os professores do curso para escreverem sobre as disciplinas. É um texto didático, os capítulos são assinados pelos professores e refletem os pensamentos dos mesmos, atuantes em pesquisas ou nas próprias disciplinas. Os livros estão dentro da proposta do próprio evento Abrapcorp. A ideia de lançá-los é para mostrar que a força que temos no curso se faz a partir da graduação, mas também a partir da pós-graduação.”

  Simone ainda opina sobre o tema da edição atual: “Parece-me um tema de senso comum, mas ainda pouco analisado academicamente. Muito no âmbito das discussões e pouco no âmbito das ações. Trabalhar na perspectiva da diversidade é trabalhar cientificamente para que novos profissionais, tanto na graduação, quanto na especialização, possam levar essa discussão para o mercado de trabalho, como prática.”

Foto: Jeferson Fragoso

Prof.ª Dr.ª  Simone Tuzzo, em lançamento dos livros.

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